A escala 6×1 não é um detalhe. É a base do varejo alimentar
Durante décadas, o setor supermercadista brasileiro foi estruturado sobre um pilar silencioso: a escala 6×1. Trabalhar seis dias e folgar um não é uma preferência cultural. É uma resposta operacional a um negócio que funciona sete dias por semana, com picos concentrados em fins de semana e margens extremamente apertadas.
A PEC 148 2015, especialmente após as alterações aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça em 2025, atinge exatamente esse pilar. Pela primeira vez, a escala 6×1 deixa de ser apenas uma prática questionada e passa a ser estruturalmente inviabilizada no texto constitucional.
O que muda de forma objetiva com a PEC 148
A versão mais recente da PEC introduz três pontos que, combinados, tornam a escala 6×1 impraticável no varejo alimentar:
Limite de até cinco dias de trabalho por semana
Obrigatoriedade de pelo menos dois dias de descanso semanal remunerado
Manutenção integral do salário, mesmo com redução de jornada
Na prática, isso elimina o modelo de seis dias trabalhados por colaborador. Não por negociação, mas por desenho constitucional.
A transição prevista mantém as 44 horas até o fim do ano de promulgação, reduz para 40 horas no ano seguinte e segue até 36 horas semanais. Mas o impacto mais relevante não é apenas a redução de horas. É a ruptura do modelo de escala.
Por que o supermercado sente mais do que outros setores
O setor supermercadista opera sob condições muito específicas:
Lojas abertas de 12 a 18 horas por dia
Funcionamento sete dias por semana
Alta densidade de mão de obra por metro quadrado
Dependência de escalas rotativas para cobrir picos
Margens líquidas entre 1,5 e 3 por cento
Em um ambiente assim, a escala 6×1 não é um luxo. É o que fecha a conta entre custo, cobertura e nível de serviço.
Ao eliminar essa escala, o supermercado precisa redesenhar toda a lógica de operação.
O impacto direto da eliminação da escala 6×1
Reengenharia completa de escalas
Com apenas cinco dias trabalhados por colaborador, surgem mais turnos, mais trocas, mais complexidade de gestão e menos flexibilidade para cobrir ausências e picos de demanda.
Aumento inevitável de headcount
A redução de 44 para 36 horas representa cerca de 18 por cento a menos de horas disponíveis por pessoa. Para manter o mesmo nível de atendimento, será necessário contratar entre 15 e 25 por cento mais funcionários, dependendo do formato da loja.
Aumento estrutural de custos
O salário não pode ser reduzido. Encargos crescem proporcionalmente. Em um setor de margem mínima, isso pressiona diretamente o EBITDA e transforma eficiência operacional em tema de sobrevivência.
Fim de semana vira gargalo crítico
Com dois dias de descanso semanal e preferência por sábado e domingo, os supermercados enfrentam subdimensionamento exatamente nos dias de maior faturamento.
O resultado é previsível:
Custo maior de mão de obra premium
Estresse operacional nos picos
Queda de nível de serviço
Discussão real sobre fechamento dominical
O fechamento aos domingos deixou de ser tabu
Desde março de 2026, supermercados no Espírito Santo passaram a fechar aos domingos por força de acordo coletivo. O teste vai até outubro, com reavaliação prevista.
Esse movimento mostra algo importante: o fechamento dominical deixou de ser ideológico e passou a ser ferramenta de engenharia operacional para lidar com choque de custo e jornada.
O risco oculto criado pelo fim da escala 6×1
Fechar lojas aos domingos ou operar com equipes mínimas cria um efeito colateral pouco discutido: longos períodos sem inspeção humana.
Um fechamento típico gera cerca de 34 horas sem presença operacional, do sábado à noite até a segunda de manhã.
Nesse intervalo, falhas em refrigeração, câmaras frias ou expositores podem evoluir silenciosamente. Quando a loja reabre, o cenário pode incluir quebra massiva de produtos, prejuízo financeiro, risco sanitário e dano reputacional.
Com menos gente em loja, o risco operacional cresce de forma não linear.
Automação deixa de ser estratégia. Vira infraestrutura
A eliminação da escala 6×1 acelera uma transformação inevitável.
Supermercados passam a depender mais de:
Automação predial
Monitoramento contínuo de refrigeração, energia e HVAC
Alarmes inteligentes e priorização automática
Atuação remota e centrais 24 por 7
Curiosamente, uma PEC criada para proteger o trabalho pode acelerar a substituição de atividades de baixa qualificação por sistemas automatizados. Não por ideologia, mas por matemática operacional.
Grandes redes conseguem investir. Redes regionais sofrem compressão de margem. Lojas independentes enfrentam risco real de inviabilidade.
Existe compensação possível no custo energético
Quando bem executado, o fechamento dominical pode reduzir consumo de energia de forma relevante.
Com base em dados operacionais do NEO, lojas fechadas e corretamente geridas consomem de 40 a 60 por cento menos energia no período, o que representa cerca de 7 por cento de redução no consumo mensal total.
Mas esse ganho só acontece com automação e monitoramento contínuo. Sem tecnologia, o risco supera o benefício.
O que muda para os supermercados a partir de agora
Independentemente do desfecho final da PEC, uma coisa já está clara. A escala 6×1 deixou de ser um pressuposto seguro.
Supermercados terão que escolher entre:
Aumentar preços
Reduzir nível de serviço
Reduzir horário de funcionamento
Automatizar agressivamente
Ou combinar todas essas alavancas
Síntese final
A discussão sobre a escala 6×1 não é trabalhista. É estrutural.
Ao inviabilizar esse modelo, a PEC 148 força uma reorganização profunda do varejo alimentar. Menos pessoas em loja, menos horas disponíveis e mais risco operacional exigem uma resposta clara.
Para os supermercados, eficiência deixa de ser diferencial e vira condição de sobrevivência. Para quem opera infraestrutura crítica, monitoramento e automação deixam de ser ferramentas acessórias e passam a ser a base do negócio.
Em resumo, o fim da escala 6×1 não reduz apenas horas de trabalho. Ele redefine como o supermercado funciona.
Com o fim da escala 6×1, operar com menos gente virou regra.
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